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Design, branding e marketing disfarçados de outros assuntos

O que esperar do próximo presidente? Carros, transporte e petróleo

Falta pouco para o dia 31, o dia em que o Brasil vai escolher o rosto que vai representar o país nos próximos 4 anos. Alguns clamam pela esquerda, outros pela direita, uns pela mudança e outros pela continuidade. Meu papel aqui não é defender X ou Y, mas afirmo que não me sinto feliz com a situação atual e espero, sim, uma mudança.

Eu espero do próximo governo que a economia do país não seja baseada na indústria automobilística. Até entendo que com o sucesso das montadoras são gerados milhares de empregos diretos e indiretos, o que é louvável, mas é absurdo achar que o mercado interno vai comprar carros infinitamente quando já não existem mais ruas para tantos veículos.

O sonho de consumo da classe C perde muito da sua magia quando o cidadão compra seu carro, com financiamento facilitado, mas descobre que usá-lo implica em perder tempo no trânsito, em perder dinheiro com combustível caro e com manutenção desproporcional ao preço total do veículo. Não estou exagerando: com o mercado aquecido as fabricantes de peças direcionam toda sua produção para as montadoras, deixando o mercado sem peças sobressalentes. Se quebrar algo, você não encontra; se encontrar vai ter que pagar o preço da escassez. Com peças caras o seguro também fica mais caro, sem contar que com a escassez de peças o roubo à carros acaba se tornando um novo risco, devidamente calculado pelas seguradoras.

Comprar está fácil, mas a cada dia fica mais difícil de manter.

Aí está a tal sustentabilidade que a Marina tanto quis dizer, mas que acabou parecendo apenas uma campanha em prol da natureza. O mercado tem que ser sustentável. Temos que fabricar coisas sabendo que serão vendidas, senão toda a cadeia produtiva perde seu propósito e todo esse aquecimento tenderá a estagnação.

Se pelo menos houvesse uma política de incentivo à renovação da frota de carros, sucateando e reciclando os carros antigos (e em estado inaceitável para o uso), acabaria ampliando o mercado comprador. Não é a solução definitiva mas melhoraria a vida das pessoas em vários aspectos: Melhor qualidade do ar, menor consumo de combustível (menos dependência de safras ou oscilações do petróleo), menos carros quebrados na rua, menos morosidade no trânsito, maior segurança nos acidentes, mais facilidade para encontrar peças sobressalentes (nenhuma saiu de linha), além de um giro mais rápido da frota, gerando empregos tanto na produção como na reciclagem dos carros. Todos saem ganhando.

E, tirando os carros, qual a alternativa? Não sei responder.

Estando dentro da cidade (no meu caso, São Paulo), não me sinto à vontade para usar ônibus – não vou enumerar os motivos – e o Metrô ainda não tem uma malha que seja útil para mim. Se tivesse mais estações de Metrô, onde eu pudesse ir sem ter que pegar trânsito, eu usaria. Infelizmente, hoje em dia eu teria que pegar carro (ou qualquer outro veículo sobre pneus) para chegar à estação mais próxima e, além disso, ainda teria que enfrentar aquela lotação desconfortável nos vagões.

Em geral uso carro para tudo. Gasto mais em combustível do que gastaria em bilhetes (ônibus/Metrô), mas consigo ir para onde quiser pelo caminho que for preciso. Acabo poluindo o ar e gerando trânsito desnecessariamente por estar sozinho em um carro onde caberiam confortavelmente quatro pessoas, mas esse negócio de “carona solidária” só funciona na teoria. Aliás, se São Paulo tivesse um nível de criminalidade tolerável eu até daria carona para pessoas na rua… mas isso é apenas um devaneio, vamos nos ater aos fatos.

Se quiser viajar também tem poucas alterativas: Pegar uma estrada de carro ou ônibus, pode ser uma aventura inesquecível se estiver em uma estrada federal. A sinalização pífia, segurança inexistente e asfalto centenário criam uma atmosfera capaz de transformar qualquer passeio em uma história para contar aos seus amigos – caso chegue a vê-los depois disso. Se optar por um avião leve algumas revistas de passatempos pois não é incomum ver apagões, panes e greves estragarem as férias de muita gente.

O trem para passageiros ainda não chegou em terras tupiniquins e, para cargas, o caminhão ainda é o mais usado. Isso é ótimo para elevar o preço das mercadorias transportadas, assim como destruir o asfalto, causando acidentes e prejuízo aos viajantes. Ótimo para a economia.

Mas não vou apenas falar mal. Nos últimos anos o governo Lula tem melhorado a qualidade de algumas estradas usando uma técnica que seu partido repudia quando usado pelos adversários: Uma empresa privada mantêm a estrada, cobra seu pedágio e todos ficam felizes. Bom, é claro que tem gente que reclama de ter que pagar pedágio, mas acho melhor do que pagar os prejuízos do carro.

Não seria mais fácil transportar a maior parte das cargas por ferrovias? Uma vez construída a manutenção é mais barata. Sem os caminhões, o custo de manutenção das estradas seria reduzido, podendo ter essa diferença repassada aos usuários e até mesmo melhorando a rentabilidade da concessionária. O transporte das mercadorias seria mais barato, teriam menos perdas e chegariam aos portos com mais agilidade. Os empregos perdidos nas rodovias seriam gerados nas ferrovias.

A ferrovia traria um menor impacto ambiental, tanto pela construção das vias, que exigem menos pistas e não torna o solo impermeável, como pela emissão de poluentes do veículo em si. Uma única locomotiva tiraria de circulação dezenas de caminhões, que suscetíveis ao trânsito, acabariam poluindo muito mais o ar e consumindo muito mais combustível.

Ainda falando sobre combustíveis, minha opinião sobre a Petrobras diverge da maioria das pessoas, tanto de esquerda como de direita.

O grande problema da Petrobras é o fato de ser parte pública e parte privada. Durante o governo Lula a Petrobras deixou de ser uma empresa que busca o lucro e o crescimento para ser uma força de manobra politica. A Petrobras hoje é “obrigada” a dar preferência à fornecedores nacionais, para estimular o crescimento do país e isso acaba engessando-a, pois para o bem do país ela pode acabar levando algum produto inferior ou mais caro. O lado “governo” se impôs sobre o lado “empresa”, derrubando sua lucratividade e afastando os investidores.

Os acionistas tem suas ações em quedas constantes e crescimento abaixo do mercado, vêem seus dividendos minguarem em prol de investimentos no país. Quem se arrisca numa empresa assim?

Há poucos dias saiu a notícia sobre a captação recorde da Petrobras. Captaram 120 bihões e quem comprou já saiu no prejuízo. Rumores já circulavam o mercado, mesmo entre os bancos que vendiam tais ações, dizendo que os papéis não eram um bom investimento, mas houve uma maquiagem para passar uma imagem da velha blue chip, que crescia à galopes.

O problema da Petrobras é a mão do governo e, por mim, uma privatização – ou mesmo um ligeiro afastamento do governo – seria excelente para seu crescimento.

Infelizmente, tal privatização só ronda nas ameaças dos debates políticos.

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