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Notícias, internet e remuneração – na contramão da evolução

Ontem eu li no jornal O Estado de São Paulo um artigo (definido como “entrevista” pelo próprio jornal) que me deixou um tanto frustrado em relação ao futuro da internet, das informações e da inovação como um todo. O texto de Alexandre Rodrigues relata as idéias e constatações do advogado Luis Fernando Matos Jr. sobre a necessidade da cobrança pelas notícias para poder remunerar os jornalistas.

O texto integral pode ser lido no site do Estadão e, pessoalmente, recomendo que seja feita essa leitura antes de prosseguir aqui: “Jornalismo tem que ser remunerado na internet”

Ao ler o texto eu imaginei a quantidade de pessoas que compartilham da mesma opinião e visão retrógrada. Pela idéia que o texto passa, a única forma de pagar os jornalistas é cobrando pelas notícias e que essa cobrança garante a informação “de qualidade”. Ou seja, todos nós teremos que pagar para ter acesso às notícias. Vamos pontuar algumas questões.

Começando a falar pela questão da qualidade, acho engraçado esse artigo ter saído justo no Estadão. Todo dia tenho a oportunidade de ler o jornal impresso deles no conforto do meu lar e, não dificilmente, me deparo com textos mal escritos, frases sem sentido e grafia incorreta. E o jornal impresso não é gratuito, o que me faz imaginar que dinheiro não é garantia de qualidade.

Os jornalistas do Estadão são remunerados. Ou pelo menos eu acredito que sejam. Assim como são remuneradas as equipes que fazem todos os jornais impressos gratuitos que circulam por São Paulo (Metro, Destak, Jornal do Farol, etc). Não tem almoço grátis para ninguém.

E olha que até agora eu só falei de jornal impresso, que tem mais custos para ser produzida do que a versão online.

Na internet a coisa não é muito diferente dos jornais gratuitos. A renda vem da publicidade, assim como a maioria dos sites atuais. Aliás, já faz bons anos que a tendência é oferecer serviços gratuitos (para o consumidor/usuário final) e obter uma renda indireta com publicidades ou parcerias.

Ninguém paga para usar o Google, o Facebook, o Twitter ou o Messenger, e mesmo assim eles estão longe da falência. Então por que será que em pleno ano 2010 ainda haja pessoas que acham que a única forma de ganhar dinheiro é “vender” o que tem? O mundo mudou muito desde o início da internet.

Inovar não é apenas na hora de produzir ou distribuir algo, mas também em achar uma forma de ganhar dinheiro com isso. E para isso precisa de criatividade ao invés de autoritarismo. Quem não é criativo para evoluir junto com a sociedade tem que dar passagem aos mais competentes. É assim que a evolução funciona, os mais aptos se perpetuam.

Os vilões da história

O texto é bem claro ao citar alguns dos vilões da história: são os indexadores, agregadores de conteúdo e até mesmo as redes sociais. Mas será que são mesmo?

Talvez só eu ache esse discurso hipócrita considerando que os sites de notícias permitem que os indexadores vasculhem seu conteúdo, que poderia ser bloqueado através de tags no código fonte ou do uso do arquivo “robots.txt”. Também acho hipócrita por sempre encontrar nas notícias links de compartilhamento em redes sociais, bookmarks e até mesmo por e-mail.

Se os jornais permitem essa divulgação deve ter algum motivo além de ficar choramingando que o negócio cresceu sem ter definido como ganhar dinheiro com ele. Obs.: Isso foi uma citação livre/indireta já que, segundo a opinião do autor, até mesmo uma citação direta é uma violação de direitos autorais. E eu pensava que todo advogado seguia as regras da ABNT.

Para finalizar

O autor diz que as redes sociais cresceram e não definiram como ganhar dinheiro. Talvez fosse interessante ele deixar um pouco de lado o caderno de Economia e ao jogo de sudoku para dar um pouco mais de atenção ao caderno Link do próprio Estadão. Pelo menos se tivesse lido o dessa semana estaria um pouco mais por dentro do assunto que estava escrevendo:

“Éramos lucrativos antes de ter dinheiro”
Conta um pouco da trajetória de Mark Pincus, criador da Zynga, produtora dos jogos do Facebook. Uma verdadeira história de criatividade que deixou Pincus rico e Mark Zuckerberg (Facebook) mais rico ainda.

E ainda tem gente que acha que redes sociais não dão dinheiro. Tem matérias que o Estadão escreve, mas parece que não lê.

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