Nos últimos meses me ocorreu uma grande preocupação com o andamento do meu trabalho de conclusão do MBA. Além de não ter iniciado, ainda não havia definido o tema exato a ser estudado. Não tardou muito para eu perceber os rumos que meus interesses e estudos me levavam e, então, cheguei a um tema que me parece promissor: o uso do branding pessoal no cotidiano.
Todos os estudos que estava fazendo me levariam a isso, todas as formas de conhecer melhor as pessoas, tanto individualmente como coletivamente, tanto fisicamente como psicologicamente. Basta ler os textos desse blog para perceber que eu me concentro mais em humanos e seu comportamento do que em marcas. O fato é que cada pessoa é sua própria marca. Marca que cativa ou provoca as pessoas a sua volta. Ótimo lugar para aplicar os conceitos de branding e embasá-los com conceitos de diversas ciências que já foram amplamente estudadas.
O engraçado é que mesmo sem definir o tema eu já estava desenvolvendo uma metodologia própria.
Logo nos primeiros dias do ano comecei a ler um livro recém comprado de Charles Darwin e ainda no prefácio, escrito por Konrad Lorenz, fui apresentado ao trabalho do grande cientista. Konrad mostrava a importância de suas pesquisas e, de maneira simplificada, descrevia seu modo de pensar. Na introdução, escrita pelo próprio Darwin, fui apresentado com uma maior riqueza de detalhes à metodologia que, em muitos aspectos, lembravam os caminhos que eu estava trilhando empiricamente. Darwin contava os passos de sua pesquisa, que passaram pela fisiognomia (leitura facial), por diversas ciências e até mesmo o estudo de artes plásticas, acreditando que a sensibilidade dos artistas poderia elucidar suas teorias, mostrando que os exemplos criados pelo homem seguem as mesmas tendências que os exemplos reais, observados em diversas culturas. Nessas páginas Darwin reuniu uma série de nomes de livros, autores, cientistas e pessoas que ajudaram em suas pesquisas.
Sei bem que tenho mania de me colocar no papel de alguns personagens de livros que leio, mas não foi o caso dessa vez. Não teria pretensão de me comparar com Darwin. O fato é que sempre tento tirar uma lição das coisas e, a cada livro que leio me sinto obrigado a guardar algo e incorporar a mim. Aprendi lendo Neil Strauss que para nos aperfeiçoarmos temos que “beber de várias fontes”, pois cada uma complementa as demais.
Nos últimos meses de 2009, quando li Hamlet, percebi que as artes não podem ser deixadas de lado quando fazemos um estudo, mesmo que com características científicas. Havia um prefácio, escrito por Nélson Jahr Garcia e intitulado “A arte da persuasão”, que falava exatamente sobre a sensibilidade de Shakespeare (entre outros autores) ao notar, em comportamentos humanos, características que os cientistas demorariam muito tempo para perceber. Obviamente, ao ler o livro notei dezenas de exemplos que facilmente se aplicavam à minha história de vida e passei a tratar a literatura como uma “ciência empírica quase confiável”.
Mal sabia eu que, ainda em 1872, Darwin já tinha essa visão. Infelizmente, para ele as artes não ajudaram muito, mas abriu um precedente interessante para os estudos posteriores.
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