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Design, branding e marketing disfarçados de outros assuntos

Panorama do ensino superior

Talvez por culpa dos caminhos que minha carreira tomou comecei a observar mais o mercado de ensino superior paulistano com um pouco mais de atenção. Nos últimos anos tenho visto muita coisa, as estratégias que as instituições seguem, suas campanhas de marketing, as fusões, as pisadas na bola. O mercado tem mudado radicalmente e, hoje, saiu no jornal Valor uma análise de um panorama que já estava sendo desenhado há algum tempo.

Para quem não conhece nada desse mercado seguem algumas informações:

A década de 2000 foi marcada pela abertura de mercado para as instituições com fins lucrativos, após alterações da legislação no final dos anos 1990. Com isso, todo o país viveu uma verdadeira bolha educacional. Antes havia uma demanda reprimida, onde apenas as pessoas da classe A e B tinham acesso à educação superior e, com essa abertura, as empresas viram nas classes menos favorecidas um mercado promissor, não apenas pela necessidade de educação, mas pelo imenso volume de alunos que poderiam arrebanhar a cada semestre.

De fato esse mercado era imenso e essas pessoas eram carentes de educação. As salas ficavam lotadas com facilidade, mostrando que trabalhar com educação era sinônimo de lucro. Isso atraiu mais empresas e, em poucos anos, vimos uma infinidade de faculdades nascerem.

Com a concorrência, é mais difícil ser visto e ser lembrado. A publicidade tinha que ser mais agressiva e diversas estratégias feitas para trazer alunos. Os preços foram caindo, esperando lucrar com o volume de alunos. O número de alunos também foi caindo e o faturamento foi minguando junto. Para conseguir competitividade, muitas faculdades sacrificavam a qualidade do seu ensino. Quem soube gerir os negócios acabou crescendo e comprando concorrentes menores.

No final da década de 2000 o mercado começou a se consolidar. Caem os fracos, mantém-se os fortes. Agora, segundo a matéria do jornal Valor, estamos em um segundo momento de consolidação, onde os alunos estão se atentando para a qualidade do ensino.

Tomando como exemplo a Uniban, universidade que já mencionei anteriormente, existem relatos nessa reportagem que ilustram bem como anda o mercado: Seus alunos estão tendo uma percepção de qualidade que não os convence. Talvez pela quantidade de aulas por período ou pelo próprio conteúdo das aulas e suas aplicações no mercado de trabalho (caberia à Uniban uma investigação para saber o motivo dessa imagem captada pelos seus alunos). Com isso, os números da Uniban tem caído. Os índices de evasão pós Geisy aumentaram de 6% para 10% e as matriculas também estão diminuindo. Pelo o que pude notar através das declarações do vice-reitor, o posicionamento da Uniban continua espartano.

Isso não é exclusividade da Uniban. Já vi casos mais estranhos, onde a faculdade tinha aulas de segunda a quinta-feira, com uma carga horária nitidamente baixa. Um convite para não estudar.

Demograficamente, os próximos anos terão cada vez menos pessoas em idade universitária, o que forçará a aceleração da consolidação do mercado educacional. Vejo isso com bons olhos pois tenderá a um aumento de qualidade no ensino e, conseqüentemente, nos profissionais formados. O país agradece.

Talvez por culpa dos caminhos que minha carreira tomou comecei a observar mais o mercado de ensino superior paulistano com um pouco mais de atenção. Nos últimos anos tenho visto muita coisa, as estratégias que as instituições seguem, suas campanhas de marketing, as fusões, as pisadas na bola. O mercado tem mudado radicalmente e, hoje, saiu no jornal Valor uma análise de um panorama que já estava sendo desenhado há algum tempo.
Para quem não conhece nada desse mercado seguem algumas informações:
A década de 2000 foi marcada pela abertura de mercado para as instituições com fins lucrativos, após alterações da legislação no final dos anos 1990. Com isso, todo o país viveu uma verdadeira bolha educacional. Antes havia uma demanda reprimida, onde apenas as pessoas da classe A e B tinham acesso à educação superior e, com essa abertura, as empresas viram nas classes menos favorecidas um mercado promissor, não apenas pela necessidade de educação, mas pelo imenso volume de alunos que poderiam arrebanhar a cada semestre.
De fato esse mercado era imenso e essas pessoas eram carentes de educação. As salas ficavam lotadas com facilidade, mostrando que trabalhar com educação era sinônimo de lucro. Isso atraiu mais empresas e, em poucos anos, vimos uma infinidade de faculdades nascerem.
Com a concorrência, é mais difícil ser visto e ser lembrado. A publicidade tinha que ser mais agressiva e diversas estratégias feitas para trazer alunos. Os preços foram caindo, esperando lucrar com o volume de alunos. O número de alunos também foi caindo e o faturamento foi minguando junto. Para conseguir competitividade, muitas faculdades sacrificavam a qualidade do seu ensino. Quem soube gerir os negócios acabou crescendo e comprando concorrentes menores.
No final da década de 2000 o mercado começou a se consolidar. Caem os fracos, mantém-se os fortes. Agora, segundo a matéria do jornal Valor, estamos em um segundo momento de consolidação, onde os alunos estão se atentando para a qualidade do ensino.
Tomando como exemplo a Uniban, universidade que já mencionei anteriormente, existem relatos nessa reportagem que ilustram bem como anda o mercado: Seus alunos estão tendo uma percepção de qualidade que não os convence. Talvez pela quantidade de aulas por período ou pelo próprio conteúdo das aulas e suas aplicações no mercado de trabalho (caberia à Uniban uma investigação para saber o motivo dessa imagem captada pelos seus alunos). Com isso, os números da Uniban tem caído. Os índices de evasão pós Geisy aumentaram de 6% para 10% e as matriculas também estão diminuindo. Pelo o que pude notar através das declarações do vice-reitor, o posicionamento da Uniban continua espartano.
Isso não é exclusividade da Uniban. Já vi casos mais estranhos, onde a faculdade tinha aulas de segunda a quinta-feira, com uma carga horária nitidamente baixa. Um convite para não estudar.
Demograficamente, os próximos anos terão cada vez menos pessoas em idade universitária, o que forçará a aceleração da consolidação do mercado educacional. Vejo isso com bons olhos pois tenderá a um aumento de qualidade no ensino e, conseqüentemente, nos profissionais formados. O país agradece.
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2 comentáriosLeave one →

  1. Lais Negreiros

     /  14/01/2011

    A única coisa que sei é que o ensino superior particular está devendo em qualidade de ensino, o que a maioria dessas instituições almejam é a quantidade e não a qualidade, eu que sai do ensino médio em pouco tempo fiquei super preocupada com a faculdade que iria estudar, porém, fiz uma pesquisa intensa atrás de faculdade que pudesse me oferecer infraestrutura e o mais importante, qualidade de ensino. Aqui em Brasília escolhi o IESB, e já vou começar o meu super empolgada e me dedicando, acho importante também a sociedade ficar de olho e pressionar e pedir sempre mais qualidade de ensino, isso de alguma maneira contribuíra para a sociedade como um todo.

  2. Palhares

     /  30/01/2011

    Com certeza, Lais. Todos nós devemos nos preocupar e buscar formas mais atuantes de manter o alto nível do ensino (não apenas o superior). Essa consolidação que o mercado anda apresentando corre justamente nessa direção e, tomara, que se concretize da forma que nós merecemos. Não é admissível ver um país cujas faculdades particulares se preocupam apenas no ato da “venda” de um curso, enquanto o poder público ainda tropeça nos ENEMs e SISUs, ano após ano.
    O mercado internacional aponta o Brasil como uma possível futura potência. Sem educação, isso será apenas mais uma promessa.
    Abraço e obrigado pelo comentário!

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