No final de 2009 recebi, com tristeza, a notícia de que em 2010 algumas marcas de bancos sumiriam, incluindo a do Banco Real, do qual sou correntista.
O Banco Real tem o seu carisma. Não apenas por ser um dos primeiros bancos a enfatizar a sustentabilidade em seus serviços, mas também por trazer algumas facilidades interessantes para o dia a dia dos seus clientes. Todo esse carisma pôde ser um entrave na fusão com o Santander.
O Banco Real construiu, ao longo dos anos, uma imagem particularmente ligada a ações de sustentabilidade. O Santander ficou com o Real quando comprou o holandês ABN, em 2007. Mesmo com seu gigantismo global, o Santander nunca conseguiu superar a marca Real no Brasil, que permaneceu mais valiosa no País. Ainda assim, por conta de uma diretriz global, a marca Santander vai continuar e a Real será arquivada.
“É possível, sim, transferir todo o ‘significado’, os valores do Real e os atributos associados a ele para a nova marca”, afirma Fernando Martins, diretor-executivo de estratégia da marca e comunicação corporativa Santander Brasil. “Isso não é automático. Não existe uma fórmula, mas é possível”. (fonte: Último Segundo)
O Santander é um banco maior, que acabou abocanhando o Real, mas o valor de sua marca (valores intangíveis) no mercado brasileiro é bem menor do que a marca comprada. A única solução para o domínio da marca espanhola seria gradualmente entrelaçar ambas as estruturas e serviços, enfatizando a cada momento que os dois bancos tem as mesmas qualidades.
Acontece que estou vendo o Santander matar a marca Real sem ao menos transferir seus atributos. Inicialmente passaram a utilizar papel branco ao invés do, já característico, papel reciclado. Agora já demonstram não respeitar seus clientes e criar motivos para eventuais evasões.
Eu explico.
No dia de ontem o Grupo Santander Brasil me agraciou com um comunicado importante. Nele, o banco me informava que estão constantemente aperfeiçoando seus serviços para oferecer cada vez mais praticidade e conveniência para o meu dia a dia. Por esse motivo eles tomaram a liberdade de alterar o meu pacote de serviços para adequá-lo ao meu perfil. Anteriormente eu era isento de taxas, mas a partir de fevereiro passarei a pagar R$32,60 havendo um desconto (para R$24,45) nos primeiros seis meses.
No caso, meu perfil atual no Banco Real é de uma pessoa que praticamente nunca movimenta a conta, uma pessoa que não usa absolutamente nenhum dos serviços inclusos no pacote de serviços. No meu perfil também é possível notar que sou uma pessoa um pouco difícil de ser agradada, pois só vou ao banco para reclamar de alguma cobrança indevida (como as de cartões de crédito não solicitados).
A análise que o Grupo Santander fez do meu perfil me parece um pouco falha. Percebi que eles não tem controle da relação que tem com seus clientes, não mantém um histórico. Também falta discernimento para ver que o pacote de serviços que eles estão me forçando está superdimensionado para o uso que faço dessa conta. Não é a primeira vez que transparece a vontade de ganhar dinheiro em taxação.
Particularmente, posso parecer um pouco tendencioso ao mostrar meu ponto de vista. Era correntista do antigo Banespa até ser comprado pelo Santander, que após demonstrar seus serviços me fez optar por abandonar a conta e, por fim, fechá-la.
Quando penso sobre a morte da marca Real, anunciada para 2010, vejo que não estão falando da marca, mas apenas do nome e do logotipo. A marca, com seus significados, valores e atributos já morreu. Só resta o Santander.
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Lu
/ 05/02/2010Também fui contemplada com este comunicado do Banco, alterando meu pacote de serviços, como se eles soubessem mais sobre minhas necessidades do que eu mesma. Estou indignada, já fiz o que pude por telefone e e-mail, pois se eu tiver de comparecer pessoalmente ao banco, será para fechar minha conta. E se não tomarem uma atitude no tempo estipulado (eles ainda se dão o direito de ter 5 dias para solucionar o problema) vou à Justiça. Afffffff!!!!
Palhares
/ 12/02/2010Depois de alguma briga consegui resolver meu problema.
Enviei um e-mail para a minha agência, mas o mesmo voltou pois desativaram o endereço eletrônico (ao contrário do que AINDA consta no site do Real). Enviei novamente, dessa vez para a ouvidoria do banco e recebi uma resposta, da ouvidora Angélica Procidio, que me “informava” que não havia registro anterior para minha reclamação e que o papel da ouvidoria é de solucionar os problemas em último caso.
Fui obrigado à responder o e-mail, “informando” que os canais de comunicação do banco eram falhos (falei sobre o e-mail da agência). “Lembrei-a” que tecnicamente não sou obrigado a ficar correndo atrás de cancelamentos de serviços não solicitados, devido ao Código de Defesa do Consumidor (art.39, III) e “lembrei-a” que na página da ouvidoria do banco Real eles afirmam que buscam soluções de acordo com o Código mensionado. Mostrei a ela a “minha visão” do papel de uma ouvidoria, como sendo um canal para conhecer os erros no âmbito institucional, e não apenas casos isolados das agências, como era o caso presente. Por fim, mostrei minha indignação com o péssimo atendimento e falta de honestidade, assim como a perda dos valores outrora divulgados.
Duvido que tenham lido essa mensagem.
Hoje pela manhã me ligaram, pedindo desculpas e dizendo que o que fizeram foi um erro. Será que vão corrigir o erro em todas as contas? Ou só nas contas de quem reclamou e falou que ia por o banco no pau? Olha a honestidade aí…