Sei que és sincera; mas é bem freqüente não cumprirmos a jura mais ardente. Da memória a intenção é simples serva; forte ao nascer, o tempo a não conserva; fruto que está no galho por ser duro, para cair por si quando maduro. Parece necessário que no olvido se atire o que a nós próprios é devido. O que a paixão concebe de perfeito, suprimida a paixão fica desfeito. A violência da dor ou da alegria com sua própria atuação não dura um dia. Onde o prazer se exalta a dor se encolhe; um nada a dor extingue e o riso tolhe. O mundo passa; é natural, portanto, que com a fortuna o amor se altere tanto; pois é problema que ainda está sem norte, se a sorte guia o amor, ou o amor a sorte. Cai um dos grandes, somem-se os amigos; sobe um pequeno, adulam-no inimigos. Daà ligar-se o amor sempre à fortuna; tem amigos quem nunca a outro importuna; pois quem ao falso amigo pede, vê-se de um imigo aumentado, sem que o cresse. Mas, para terminar pelo começo, entre a vontade e a sorte há sempre empeço. Nossos planos são frutos só do acaso; a idéia é nossa; os fins, de cada caso. Não digas que de novo não te casas; morto o esposo, o propósito bate asas. (W. Shakespeare, em Hamlet)
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Edu chianca
/ 27/11/2009A lÃngua de Hamlet possui o veneno necessário. Nesse livro, a suposta loucura do prÃncipe da Dinamarca é a mais lúcida bofetada em nossa face hipócrita.
Sem falar na linguagem excepcional de Shakespeare!
Que citação tão perfeita e oportuna nos dá esse Hamlet! Hein, Palhares?