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Design, branding e marketing disfarçados de outros assuntos

Memórias do fim dos tempos

Nos últimos tempos vi coisas e passei por situações que me deixaram muito confuso quanto ao rumo que tudo tomará.

O branding, assim como o design, a comunicação, etc, são baseados nas pessoas e no que elas pensam. Sempre fui interessado em conhecer um pouco mais delas e conhecer um pouco mais dos elementos que tanto diferenciam essas pessoas. Fatores culturais, étnicos, psicológicos, filosóficos e até mesmo ciências esotéricas. Saber um pouco de tudo sempre me ajudou em meu trabalho.

A(s) grande(s) surpresa(s) aconteceu(ram) nos últimos meses.

Percebi que hoje em dia as pessoas tem baixa capacidade de absorção de informações. Não estou falando de visão seletiva, que faz com que você não veja as publicidades excessivas espalhadas por aí, falo de qualquer informação, incluindo acadêmica. Inicialmente achei que fosse culpa das instituições de ensino, que buscando ser mais competitivas no preço acabam reduzindo a qualidade do ensino, mas percebi meu engano quando vi que era uma tendência em vários âmbitos da vida.

Vejo que as faculdades de arquitetura estão se tornando cada vez mais técnicas e esquecem que a base da arquitetura não está na construção em si, mas nas pessoas que vão usufruir dela. Vejo advogados que perderam sua capacidade de argumentação e quando tentam, usam um precário discurso sofista, sem bases sólidas, que facilmente se contradiz.

Estudam sem aprender ou vivem sem se lembrar? A segunda opção, com certeza.

As pessoas não conseguem mais se lembrar do que comeram no dia anterior, o que fizeram na sexta-feira passada, não conseguem se lembrar do que disseram, do que prometeram, sentiram ou combinaram. Enfim, a memória está ficando cada vez mais reduzida.

Para as empresas, isso é um desafio e uma solução.

O desafio vai ser manter sua imagem sempre em evidência, para que as pessoas não a esqueçam, buscando formas alternativas para se comunicar, fugindo dos filtros de publicidade. Todas as ações passarão a ser de curto prazo e ainda serão partes de um movimento maior, algo sem fim.

A solução, para as empresas mal geridas, é que qualquer pisada na bola poderá ser esquecida mais facilmente. Isso poderá ser visto como um motivo para não trabalhar tão sério, ou para não ser tão correto, o que não é algo positivo.

Aqui em São Paulo aconteceu um caso muito interessante com o supermercado Mambo. No último ano ele estava crescendo bastante em bairros nobres, abrindo lojas novas e modernas. Até que a vigilância sanitária apareceu em uma das filiais (Brooklin) e viu que eles estocavam os alimentos de forma irregular, sem higiene alguma, e ainda vendiam produtos vencidos e podres. Virou notícia e a imprensa espalhou. Hoje em dia é nítido o impacto que isso teve, tem muito menos gente freqüentando o Mambo. Na filial do Morumbi, por exemplo, o movimento também caiu, o que comprova que a notícia afetou a percepção da marca e não da loja específica.

Se a memória das pessoas estiver mais curta, logo esquecerão. Aliás, o brasileiro sempre teve memória curta mesmo, não é?

Outro dia fui taxado de psicótico por ter uma memória desgraçadamente boa, sistêmica e metódica. Já sou a exceção, a ovelha negra das regras atuais.

Além da memória curta, percebi outras mudanças comportamentais, assim como diferenças culturais regionais que vão contra o que sempre pensamos ser “verdades universais”, mas isso fica para um outro dia…

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