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Design, branding e marketing disfarçados de outros assuntos

Internet e os hábitos textuais

Alguns de vocês já devem ter percebido que eu sou uma pessoa que gosta de ler e, principalmente, escrever.

Eu confesso, acho a escrita uma arte fascinante. Talvez por não conseguir me expressar bem com a fala, talvez por poder usar um vocabulário mais interessante, talvez por poder selecionar mais o público ou até mesmo para não ficar falando sozinho (uma vez escrito, as pessoas podem ler quando bem entenderem e não na hora que estou disponível). O fato é que eu sou um dos poucos espécimes de designer gráfico que se diverte mais escrevendo textos do que fazendo qualquer coisa visual.

Meus textos tem uma personalidade muito própria, eu me preocupo em deixá-los leves e com um ritmo agradável para que o leitor consiga finalizá-lo sem se cansar no meio. Não sei se consigo alcançar minha meta, mas me esforço.

Tive essa consciência quando ainda era um pré-adolescente e percebia que a linguagem usada em revistas era muito mais saborosa do que a linguagem dos livros do colégio. Coisa de designer, encontrar problemas em tudo. Até que cresci e me vejo fazendo algo que meus professores daquela época achavam que eu nunca faria: escrever muito e com coerência.

Não me lembro quando comecei a tomar gosto por isso, mas me lembro da primeira vez que tive uma carta publicada em um jornal. Nessa carta eu fazia uma reclamação contra o trânsito gerado por uma festa em um museu de São Paulo, onde os carros estacionaram em todas as faixas da rua, impedindo por completo o trânsito dos carros. A CET, que lá estava, não fez nada para impedir essa prática ou auxiliar de alguma forma o trânsito. Ter essa carta publicada foi algo que me orgulhei muito.

Depois disso ainda houve outros fatos interessantes, como a ocasião em que uma seguradora se recusava (ou apenas adiava) a pagar o valor de um carro que havia sofrido uma perda total. Eles estavam descumprindo uma série de cláusulas do próprio contrato, além de normas do órgão regulador e eu, com uma clavícula fraturada e impossibilitado de muitos movimentos, fui meu próprio advogado, estudei cada cláusula daquele contrato e briguei com a corretora e a seguradora. Para cada e-mail que vinha eu respondia um texto enorme, com uma argumentação de dar inveja.

É interessante pensar que, nessa postagem por exemplo, estou divagando sobre um assunto, sem abordar nada de interessante mas ainda assim tenho meus propósitos.

Semana passada tive um surto romancista e me lancei numa incursão literária. Escrevi um pequeno conto, de algumas dezenas de páginas, que me tomou 6 dias para ser concluído. Foi um tipo de texto que jamais tinha tentado, era uma narrativa, uma história com começo, meio e fim. Foi tão intenso e estressante que os três últimos capítulos (de um total de sete) eu não revisei, me faltava paciência. Na ânsia de dividir minha experiência acabei postando aqui e, poucas horas depois, o retirei do ar. No final das contas, pouquíssimas pessoas chegaram a ler o conto.

Nos dias seguintes acompanhei as estatísticas de visitas do blog. Percebi que várias pessoas entraram através de busca no Google por “blog opalhares”, ou seja, sabiam exatamente aonde queriam chegar. Fiquei pensando: será que as poucas pessoas que leram recomendaram para tantas pessoas assim? Ou será que por ser um texto extenso deixaram para ler outra hora e se surpreenderam com o desaparecimento?

Não sei, mas percebi que o brasileiro está mudando seus hábitos. O brasileiro, que eu sempre achei que não lia muito, está lendo mais. Está se interessando por literatura e outros textos igualmente extensos.

Esses dias estava lendo uma pesquisa sobre os hábitos na internet e o brasileiro está freqüentando cada vez mais redes sociais, e cada vez menos sites pornográficos. Isso é um avanço! Não faz muito tempo que eu falava mal da inclusão digital, dizendo que só aumentava a pirataria, pornografia e acessos no Orkut. Bem, sobre o Orkut eu estava certo.

Falando em hábitos de internet, uma outra coisa engraçada é o anonimato que protege as pessoas. Não falo de mim, claro, que exponho meus textos com nome e sobrenome, mas já imaginou quantas pessoas são protegidas assim?

Só nessa postagem falei de um museu de São Paulo (que não vou dizer que fica na av. Europa) e de uma seguradora (que não vou dizer que tem um navio pirata no logotipo), sem dizer quem eram. Tudo graças ao anonimato.

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