Não ia falar nada sobre o assunto, mas as notícias dos jornais não me deixam ficar calado. Sei que é chover no molhado, mas o caso que temos visto com a voluptuosa aluna da Uniban é digno de alguns comentários.
Não. Não vou discutir a questão moral ou os direitos de expressão das pessoas, mas vou discutir sobre o posicionamento da instituição acerca do ocorrido.
Para quem não acompanhou, farei um breve resumo: Certo dia uma aluna aparece na universidade com um vestido curto. Bem curto, diga-se de passagem. Enquanto andava para um lado e para o outro uma legião de alunos se sentiu provocada a, fervorosamente, sugerir uma nova profissão à jovem estudante, profissão a qual nem seria necessário tanto estudo assim. A instituição, chocada com a repercussão do caso na imprensa não pensou duas vezes, fez pose de politicamente correta e expulsou a garota do curso que fazia, estimulando-a a seguir a carreira proposta pelos seus colegas. Acontece que pouco tempo depois a Uniban não agüentou a nova repercussão e teve que readmitir, ou “desexpulsar”, a estudante.
O erro se torna evidente quando a instituição teve que voltar atrás na sua decisão. É claro que alguns departamentos dela agem de forma independente, sem nem ao menos consultar os outros. Será que houve um consenso entre o jurídico, marketing, relações públicas e diretoria sobre a decisão que deveriam tomar? Uma simples “pesquisa” entre os programas de TV seria o bastante para perceber que todas as emissoras sinalizavam uma forte empatia pela estudante, portanto, qualquer decisão contra ela seria um tiro no pé da instituição.
Talvez o melhor seria esperar a poeira baixar e ter tempo para decidir o que fazer. Deu a impressão que quiseram mostrar eficiência, com uma resposta rápida, mas deram a resposta errada. Tudo bem, errar é humano.
E agora, alguém consegue mensurar o impacto que essa ação causou na imagem da Uniban? Há quem pense “falem mal, mas falem de mim”, mas quando falamos de uma instituição de ensino a coisa muda.
Por algum tempo trabalhei com marketing educacional (ensino superior) e até hoje presto serviços nessa área. Sei o quanto é difícil fazer as pessoas entenderem o quanto é sério zelar a imagem da instituição.
Diferente de qualquer outro tipo de empresa, os consumidores de ensino vão carregar o nome da instituição para sempre, pois sempre estará estampado em seus currículos. Quem faz faculdade, ainda mais hoje em dia, está não apenas comprando o conhecimento que o curso proporciona mas também está apostando em um sonho. Um sonho de uma vida melhor, com melhores empregos e salários mais altos. A imagem que a instituição passa para as pessoas influi diretamente na concretização dos sonhos desses alunos, pois poderá abrir portas, ou fechá-las.
Acredito que o episódio não vá impactar tão facilmente no número de matriculas do próximo semestre, afinal de contas a Uniban é um dos maiores grupos de ensino do Brasil, mas seria interessante avaliar as conseqüências disso acompanhando os futuros egressos da instituição. Pena que poucas delas fazem esse tipo de acompanhamento.
Quando trabalhamos com sonhos devemos ter um cuidado redobrado para ser o mais correto possível. Não se brinca com a vida dos outros.
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