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Dando a cara para bater

Quando criança, tive muitos amores platônicos. Não eram platônicos por serem distantes, pelo contrário, em geral eram garotas que estudavam na mesma classe que eu. Eram platônicos pois eu tinha medo de me arriscar e não conseguir êxito. No medo de não conseguir, acabava não conseguindo mesmo.

Demorou muito para perceber que falhar não era vergonhoso e que nada me abalaria se eu simplesmente virasse as costas e partisse para a próxima. Fui domando meus medos aos poucos, mas acredito que só consegui entender plenamente e aplicar esse novo conceito quando estava na faculdade.

Nessa época meu leque de decisões era bem maior. Não tinha que me preocupar apenas com escolhas no âmbito pessoal, mas também no acadêmico (escolher uma profissão que carregaria para o resto da vida) e um pouco mais tarde no âmbito profissional. Muitas escolhas e muita chance para o azar.

Com muita naturalidade percebi que a vida passa por nós com uma velocidade que não nos permite aproveitá-la ao máximo. E cada dia parecia ser mais curto que o anterior. Vi, então, que esperar acontecer já não bastava e que tinha que criar oportunidades com minhas próprias mãos.

Trabalhei em empresas de ramos totalmente diferentes, aprendendo coisas totalmente diferentes, pois sempre achava que tinha que conhecer mais como as coisas funcionavam para ser bom em alguma coisa. A cada pedido de demissão corria um risco, me jogava num mundo sem nada em vista. Sempre consegui me superar.

No âmbito pessoal, o que começou essa história, também melhorei muito. Posso dizer que nos últimos anos consegui ficar com todas as minhas paixões (cada qual na sua época), mesmo que tendo desilusões no final. A cada tentativa corria um risco. Mesmo com desilusões, sempre consegui me superar.

O que quero passar nesse texto, que paira entre um breve histórico da minha vida e um desabafo de feriado, é que o risco é uma coisa boa, quando sabemos lidar com ele. Quando perdemos algo sem tentar, acumulamos uma derrota. Quando perdemos tendo nos arriscado, ganhamos experiência, melhoramos, crescemos. Quando nos arriscamos saímos da derrota certa e criamos chances para uma vitória.

Se você continuar fazendo o que sempre fez, vai continuar conseguindo o que sempre conseguiu.

Então arrisque-se!

Hoje tenho orgulho de ver minha história e enumerar as vitórias que tive quando mudei de pensamento. Das derrotas também me orgulho, pois delas tirei conhecimento que me ajudou mais tarde. Tenho orgulho também de saber que encarei a vida com autenticidade, mostrando quem eu era e não me escondendo atrás de meus medos. Criei amigos, colegas de trabalho e tive experiências magníficas que jamais teria se ainda fosse aquele garotinho medroso.

E você, dá a cara para bater ou ainda se esconde?

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