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Design, branding e marketing disfarçados de outros assuntos

A multidisciplinaridade do design

Nos últimos dias estava discutindo com algumas amigas a respeito da importância da cultura geral. Para nós, profissionais de design e comunicação em geral, é de suma importância conhecer um pouco de tudo e é desejável ter alguma base mais sólida em alguns pilares.

O design não é uma técnica pura, dependente apenas de cálculos matemáticos e cânones pré-estabelecidos, pelo contrário, o design existe para buscar soluções dos problemas já existentes. Buscar soluções implica em inovar, nem que seja em usar de um novo modo algo que já existia.

O design tem a função de humanizar as coisas. Ir de encontro aos problemas encontrados para facilitar a vida das pessoas. (Marc Gobé)

Quando pensamos no nosso objeto de trabalho, vemos que ele sempre estará envolto de uma série de fatores que de alguma forma o tornam mais humanos. Desde a ergonomia, percebida com mais facilidade no design de objetos, chegando até a psicologia, tudo pode ser usado para entendermos mais as pessoas e, conseqüentemente, realizar um trabalho melhor.

Tudo pode se tornar referência, ou mesmo a base de um projeto, se conseguirmos aplicá-los na hora e na dose certa. Cada “público-alvo” tem sua bagagem cultural, seu alfabeto visual e tem que ser bem explorados para passar a mensagem com mais clareza.

Nos últimos meses, re-li alguns estudos antigos, livros renascentistas, textos sobre psicologia, sobre persuasão, sobre ergonomia na arquitetura, sobre legibilidade, entre outros. Cada qual aborda o ser humano de algum aspecto, seja físico, psicológico (sobre o funcionamento do cérebro e da psique), emocional ou cultural. O incrível é que assuntos que parecem inúteis para meu trabalho podem ser misturados a outros elementos e aproveitados.

Em uma postagem recente, falava sobre a fisiognomia. Fui questionado por muitas pessoas sobre isso, inclusive duvidando da utilidade disso no trabalho, mesmo com os exemplos (rasos, admito) expostos na ocasião.

Então vamos pensar juntos. Um dos primeiros exercícios de branding que fiz, ainda na graduação, consistia em descrever as características de uma determinada marca, personificando-a em uma figura humana onde íamos decidindo o gênero, faixa etária, aparência, estilo, etc. Muitos grupos acabavam descrevendo pessoas parecidas para as marcas, o que comprova que nós temos uma percepção para empresas muito semelhante à percepção que temos de pessoas.

Então, o que aconteceria se você fosse fazer uma campanha publicitária usando algum garoto-propaganda?

Com certeza a empresa quer passar uma imagem e para passá-la com maior fidelidade todos os pontos tem que ser analisados. Se a empresa opta por uma celebridade, já conhecida pelo público, leva-se em conta o histórico dessa pessoa, evitando pessoas com um passado incongruente à imagem da empresa. Se a empresa opta por um modelo desconhecido, pode buscar em sua fisionomia a imagem que deseja.

Não é mandinga, a fisiognomia parte do princípio que à medida que você expressa seus sentimentos com a face, exercita os músculos, definindo-os, aumentando-os e criando linhas e dobras na pele. Uma cara brava exercita um conjunto de músculos, enquanto um sorriso exercita outro, com o passar do tempo esse exercício mudará o rosto da mesma forma que uma academia esculpe o corpo.

Quem vê, inconscientemente julga aquela feição e é isso que pode atrapalhar na comunicação. O modelo pode ser convincente, ter atitude, presença, mas pode estar transmitindo outra mensagem sem querer.

É lógico que o que digo aqui não é comprovado, é apenas uma teoria que formulei juntando dois assuntos completamente diferentes, mas acredito que poderia ser mais explorado e, talvez, chegar a uma conclusão definitiva. Esse cuidado a mais não faria mal algum à imagem da empresa, mas poderia ser uma barreira muito áspera na hora da seleção do garoto-propaganda.

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