Minha postagem anterior era uma citação que falava sobre buscar as respostas dentro de si, sem, contudo, explicar exatamente o assunto ao qual eu me referia.
Quando tive a idéia de criar esse blog, com poucas postagens fugindo do assunto principal, me impus o desafio de entrelaçar as idéias, tornando qualquer postagem, de qualquer assunto, relevante no âmbito profissional e acadêmico do marketing, design, ilustração, branding, etc. Sempre haverá alguma postagem que pareça perdida, categorizada como “Off-Topic”, mas essas postagens serão sempre escolhidas a dedo para gerar uma reflexão e, talvez, serem citadas em postagens futuras. É esse o caso que vemos agora.
Então, vamos começar e olhar para dentro de nós mesmos.
Nosso corpo é composto por células, que se ordenam de acordo com sua função e características físicas. As hemácias, também conhecidas como glóbulos vermelhos, são células presentes no sangue e são responsáveis pelo transporte do oxigênio. Para exercer bem sua função, essa célula tem um formato específico que lhe dá mais superfície (área de contato) do que massa, podendo transportar mais oxigênio e ainda assim manter seu tamanho reduzido para agilizar seu movimento. Os neurônios são células responsáveis por produzir e conduzir impulsos elétricos. São células compridas e tem um revestimento isolante na sua extensão, características que lhe permitem formar uma verdadeira “rede elétrica” por todo o corpo, transmitindo diversas mensagens em ambos os sentidos (do cérebro para o corpo e do corpo para o cérebro). Os espermatozóides são as células reprodutivas masculinas, que carregam metade do código genético das outras células e são dotadas de uma cauda móvel que permite que se locomova vagina à dentro rumo ao encontro com o óvulo.
Logicamente não vou citar todas as células do corpo, nem teria conhecimento técnico para isso, mas dei esses exemplos pois mostram bem o que eu quero mostrar: Todas essas células fazem parte do mesmo corpo, mas todas tem funções diferentes e tem características físicas que otimizam essas funções.
“Mas o que eu tenho com isso?” – Pergunta você, indignado(a) – “isso é muito óbvio”.
A questão é que o que parece óbvio quando falamos no corpo humano, não é tão óbvio quando falamos de empresas.
As empresas, assim como um corpo, são compostas por diversos departamentos (que metaforicamente podemos chamar de órgãos ou tecidos) que exercem funções diferentes. Portanto, é óbvio, que cada departamento tem exigências próprias para ter suas funções otimizadas. Dando seqüência na postagem sobre as primeiras análises dos departamentos de marketing, podemos ver alguns erros comuns, analisados sob essa ótica.
Nunca vi, na prática, algum departamento de marketing ou agência de comunicação que cumprisse algum horário rígido. Nem sempre (aliás, nunca) as pessoas vão para casa quando dá o horário. Por outro lado, vejo que as empresas tem a mesma cobrança com horários que tem com setores de atendimento, por exemplo, que tem um período certo do dia para ter contato com os clientes.
Também existe a incessante cobrança para que o marketing seja criativo. Ok, vamos deixar claro aqui que o conceito de marketing usado pela maioria não se trata de “mercadologia” que passa diretrizes para alguma agência de comunicação externa ou para os publicitários do próprio departamento. A maioria usa o departamento de marketing como uma agência in house composta, normalmente, por publicitários, designers e curiosos, que criam de acordo com as diretrizes da diretoria (em geral de um único dono da empresa). O que acontece é que enquanto essas pessoas tem que criar, são privadas de qualquer estímulo criativo. Algumas vezes são proibidas de expor qualquer traço de personalidade no seu dia-a-dia através do uso de uniformes, papel de parede padronizado, proibição de objetos pessoais sobre a mesa, etc. Também é comum o bloqueio de internet, que proíbe que os funcionários entrem em diversos sites, incluindo redes sociais.
A partir daí podemos enfatizar algumas questões:
- A uniformidade de referências visuais, tanto nos objetos cotidianos como na navegação na internet, com o passar do tempo desestimulam a criatividade, pois a pessoa só terá como referência as próprias coisas da empresa.
- A proibição de expor sua personalidade poderá passar a imagem de que a empresa é hostil ao funcionário. Funcionário infeliz se envolve menos e, conseqüentemente, produz menos.
- O bloqueio de internet impede que os funcionários tenham uma visão externa da empresa, como por exemplo, ver as ações que seus concorrentes estão fazendo, ver sites especializados no seu ramo de negócio ou sites que indiretamente poderiam ser úteis.
- O bloqueio de sites de relacionamento já não faz mais sentido. Hoje em dia a forte tendência é das empresas marcarem sua presença nesses meios, e usá-los como um canal de comunicação com seus clientes e prospects. Proibir isso demonstra um pensamento retrógrado.
Ainda devem existir infinitas outras questões, mas podemos notar que o departamento de marketing não é igual aos outros, e por isso tem exigências diferentes dos outros. Talvez os moldes usados pela maioria funcionem para o depto. administrativo, RH, expedição, jurídico, etc, mas tenho certeza que para o bom funcionamento da empresa, cada parte tem que ser adaptada à sua própria rotina.
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Nishi
/ 29/10/2009Oi Gui.
Vim te dar os parabéns, e espero que você não abandone este blog. Você é super inteligente e escreve muito bem, principalmente, quando está furioso.
Te adoro!
Beijão.
Nishi