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Design, branding e marketing disfarçados de outros assuntos

Departamentos de marketing (primeiras análises)

Há algum tempo ouvi a seguinte frase: “Dizem que o Brasil é o país dos empreendedores, mas na verdade é o país dos curiosos”. Esse pensamento baseava-se no número de empresas que fechavam antes de completar 1 ano. E no número ainda maior de empresas que fechavam nos anos seguintes.

29% das empresas fecham no 1º ano de atividade
53% fecham até o 3º ano
56% fecham até o 5º ano.
Fonte: Sobrevivência e Mortalidade das Empresas Paulistas de 1 a 5 anos – Sebrae SP 2004/2005.

Se formos analisar caso a caso vamos perceber que muitas dificuldades que essas empresas enfrentaram poderiam ser evitadas se alguns procedimentos fossem aplicados. Muitas vezes a falta de informação é o principal vilão da empresa.

Quando se trata de marketing, que é uma área que eu tenho mais propriedade para falar, percebo que raramente alguma empresa, brasileira, de pequeno e médio porte sabe seu real significado. Surpreendentemente existem até empresas com grande estrutura, tanto física como intelectual (pessoal), que mantém um departamento de marketing sem ao menos saber para que ele serve.

Nesses casos, o marketing é visto apenas como divulgação, ou seja: já está tudo feito, só falta divulgar. Além disso, sempre existirá aquele chefe que quer as coisas do jeito dele, cabendo ao marketing colocar em prática aquela idéia que já veio pronta.

Isso não é marketing, nem tampouco é saudável para o negócio.

Todos os exemplos que conheço que trabalhavam nesse sistema levavam uma vida instável, muito suscetível a qualquer intempérie de mercado ou qualquer ação mais agressiva dos concorrentes. Além disso, também tinham uma dificuldade de manter uma taxa de crescimento constante, ou mesmo sustentável.

Ainda hoje as pessoas criam produtos sem saber se existem consumidores que os comprariam; definem os preços sem saber qual o custo para produzi-los (preços baixos demais) ou sem conhecer os produtos dos concorrentes (preços altos demais). Isso acontece pois nem sempre sabem quem são seus concorrentes e porque pensam que a boa estratégia para vender mais é ter um preço baixo.

O caso é que não se preocupam em analisar o valor percebido do produto. Se o consumidor não acha seu produto útil, mesmo se ele for vendido abaixo do custo de produção, ele será caro demais. Por outro lado, se perceberem que o produto tem valor, você pode cobrar a mais e as pessoas ainda o comprarão.

Por exemplo, alguém se lembra do Tamagoshi? Era um brinquedo inútil e muito caro para os padrões da época, mas os pais achavam que esse brinquedo poderia ensinar responsabilidade aos filhos, então o comprava. Os pais percebiam que aquilo valia mais do que um simples chaveiro e acabavam pagando a mais por isso.

Enfim, está na hora de perceber que o marketing não é feito para trabalhar em apenas uma etapa do processo, mas deve estar presente ao longo dele, desde os estudos da criação de um novo produto/serviço até no acompanhamento depois do seu lançamento.

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